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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lembranças da minha Infância


Ainda me lembro,

as eternas brincadeiras de criança,
as belas tardes fagueiras,
as noites de lua cheia,
quando corríamos atrás dos vaga-lumes
para iluminar a lâmpada pendurada na figueira,
onde brincávamos de casinha
quando era tão pequena.
A brasa do cigarro,
que pensei ser um vaga-lume
e que me dissestes para pegar,
naquela noite escura,
em que pouca luz tínhamos na nossa rua...
Os brinquedos que fazias,
recortando lata vazia,
soldando e pintando,
colando figuras d'água,
para imitar as que existia.
O carrinho com motor,
que fizestes com tanto amor
e que tinha até acelerador.
As estórias que ouvíamos de nosso avô
e que eu dizia,
quando crescer,vou escrever,
para nunca mais esquecer.
Da bruxa do disco voador,
que correu atrás de você
e te fez passar pela porta de vidro
e depois disso,
nunca mais aparecer...
Quanto medo eu tinha
do lobisomem que imaginava estar
sempre a me esperar,
quando eu ia na casa da minha avó,
buscar o mata mosquito,
que minha mãe sempre esquecia de comprar,
e que eu temia sempre ter que buscar.
Andar à cavalo na fazenda do outro avô,
ver as ovelhas no pasto de manhã.
O leite quentinho na mangueira,
pular a cerca da porteira,
e dar milho às galinhas,
que ciscavam pelo pátio
e tantos outros momentos mágicos,
guardados na lembrança,
belas  cenas da infância,
que ainda guardo com carinho.
Depois o silêncio...
O relógio parado no quarto,
marcando a hora da partida,
tão criança ainda.
O frio que senti nessa hora,
o som das batidas na porta,
avisando a despedida,
o adeus e depois a saudade
que sinto ainda agora
e a tristeza que me devora,
porque sei que nunca mais
iremos brincar como outrora,
suaves tarde outonais,
que não voltarão jamais.
E daí onde estás, meu irmão,
sei que ainda ouvirás,
o som dos nossos risos,
que se perderam quando partistes,
para nunca mais voltar...



Débora Benvenuti

Homenagem à meu irmão, Naor Benvenuti